Cantinho da Má


sobre mim II - a short one

 

Preciso elevar o pensamento, mas com pernilongos me rondando e os peitos latejando fica tudo muito mais difícil. Agruras. Físicas e na alma. Fictícias e reais, algumas bem mais reais do que eu gostaria.

Tá tudo sob controle e de uma hora prá outra, muda. A ordem no caos, o universo em expansão, com seus incomensuráveis elementos, matéria e energia, c’est tout la mème chose ou não...

“Eu perco a chave de casa, eu perco o freio, estou em milhares de cacos...” canta Miss Calcanhoto e eu sempre achei graça em mim. Graça nas minhas mazelas, no meu lado dramático, ou intenso e apaixonado como eu costumava enxergar. Mas agora, tenho alguém que acha que meus defeitos são horrorosos demais prá serem suportados. Unbearable. Todos eles, inclusive os que eu nunca imaginei que seriam “defeitos” pra alguém.

Mais um texto sem final? Dos inúmeros que comecei desde que essa história começou e eu deixei de ser eu mesma prá tentar ser eu-casal-ele. Os tracinhos aí eram prá ser sinais de somatória mas pelo visto são de separação mesmo. Conjuntos que não estão contidos uns nos outros, lembrando a velha e querida matemática da infância (que é a base para muitas pessoas traumatizadas e alguns gênios também).

Gosto de ser eu. Gosto muito. Às vezes, como num casamento, encho um pouco de mim, me acho ridícula, mas me respeito e toco prá frente, relevando as faltas e tentando aprimorar o que há de bom. O que eu faço comigo, acabo fazendo com os outros. Por isso, muitas vezes sou dura e exigente com as outras pessoas. Por isso, às vezes eu me desaponto com a falta de interesse em tentar compreender. Esqueço... esqueço que os outros não têm esse sentimento avassalador que me invade de tentar achar a conexão, o ponto comum. Esqueço que as outras pessoas têm outras prioridades: dinheiro, sucesso profissional, fama, ah, sei lá, coisas que nem consigo imaginar porquê deveriam ser a razão ou a essência da vida de alguém. Mas tento. Tento compreender o motivo que leva um ser a puxar o tapete do outro prá “vencer”.  Que faz a pessoa amada chorar até perder as forças e não se mexe... reticências no tempo...

Eu que paro de sofrer prá cuidar de quem amo. Eu que vago no espaço em busca de solução para os problemas (próprios e alheios). Eu que luto como uma leoa prá proteger quem amo. Eu que tenho um coração que guarda pessoas queridas independente do laço que nos une. Eu que enfrento o mundo prá lutar pelo o que acredito. Eu que tenho a alma armada e desprotegida ao mesmo tempo... Eu estou aqui, escrevendo sem saber o final dessa história, tentando segurar a Pollyanna que habita meu ser desde os 14 anos de idade e dessa vez, não ser toda esperança. Sem saber se o final será feliz, sem tentar pensar em probabilidades, porque hoje em dia, está cada vez mais difícil acreditar num final feliz, já que a história toda se mostrou uma grande comédia de erros (ah, se eu fosse o William... Shakespeare, é claro...).

Citando o mestre Vinícius: “a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida”... Prá que sofrer com as agruras??? Fechando, a Rita Lee canta: “prá quê sofrer com despedida?” That’s it.

Acho que consegui terminar o texto, elevei a dor (Ana Carolina) e o pensamento. Ao final acabo soltando um pouco a Pollyanna (coitada, acorrentada na masmorra há tanto tempo...) ao acreditar que sairei na boa – “com mais experiência”, ela sussurra tirando a mordaça e as algemas. Imediatamente, me arrependo de te-la soltado. Lanço-lhe um olhar enregelante e grito: CHEGA!!!  E saio correndo atrás daquela que personifica toda a minha inocência e meu otimismo pueril (com as correntes na mão, claro...).

 

Muito boa noite prá quem vai dormir...

Escrito por Má às 23h18
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