Birth...
Observo a claridade em seu rosto. Decoro suas formas, presto atenção nos seus gemidos, na respiração, no tom da pele, nos movimentos e tento adivinhar suas vontades.
Um nascimento sempre modifica a vida da gente. Como explicou um amigo “é como se tirássemos nova identidade”.
Tudo nele e o que diz respeito a ele, é prá mim, inesquecível e marcante.
A barriga que, de pequena ficou gigante. Chutes e enjôos. A bolsa que se rompeu as 2h da madrugada. As contrações intensas e intermináveis (10 horas vivendo a vida de 5 em 5 minutos). O seu nascimento – só nós dois e a primeira vez em que pus os olhos nele. Tão pequeno e tão frágil – tentando respirar – estava nervoso e assim que falei com ele, ele parou de chorar! Quarenta dias longos que se arrastaram dentro de um hospital com inúmeros cansaços (físico, emocional) e aborrecimentos. A vinda prá casa, período de adaptação e conhecimento para todos...
Sem dormir a noite, dores nas costas, leite que empedra, peito inchado, dor nas pernas, sem tempo para retornar ligações ou mesmo prá fazer nada, banhos rápidos, olhando a respiração, a temperatura, trocas de fralda, banhos, cuidando, roupinhas, massagens, remédios, cuidando e cuidando mas...
Um suspiro, um sorriso, suas mãozinhas, suas manhas e seu cheirinho. Tudo o que é dele ou vem dele, me apaixona.
Canto prá ele enquanto o embalo. Ele me olha, pisca, boceja e se ajeita no meu colo. Quando ele chora, parte de mim se quebra.
Eu respiro com a respiração dele... e essa, agora, é minha nova identidade.
Muito prazer.
Sou a mãe do Pedro Henrique *...
* Um menino muito corajoso, que nasceu prematuro de 29 semanas, Pesou 1,885kg ao nascer e passou 40 dias no hospital – destes, 38 em UTI neonatal. Ele venceu uma gravidez nervosa e com uma mãe triste e exausta, um trabalho de parto de 10 horas que terminou em cesárea, venceu o desconforto respiratório, o incomodo de agulhas e cateteres e a raspagem de seu cabelo prá pegar uma veia da cabecinha. Venceu uma transferência cretina aos 4 dias de vida com 1,6kg e duas semanas tomando antibióticos; cuidados de enfermeiras e médicos, aquele barulhinho desgraçado do oxímetro, sondas, leite de latinha, uma anemia e uma transfusão de sangue e sobreviveu a médicos que queriam remove-lo da UTI (mais uma vez) a qq preço. Venceu o cansaço de ser prematuro e aprendeu a mamar e faz isso hoje com toda a força que possui. Venceu a precocidade e aprendeu a respirar sozinho. Venceu o refluxo e conseguiu ganhar peso. É por tudo isso e um pouquinho mais que eu digo que esse menino já é um vencedor por ter nascido e sobrevivido... Mas o que mais me orgulha é ver sua força no meio de tanta adversidade. Isso me dá forças prá enfrentar qq coisa... Hoje, ele sorri quando dorme, chora quando tem fome ou coliquinha e olha o mundo com olhos brilhantes. Ele tem 2 meses e 8 dias, 50 cm e mais de 3,275kg! Respirando e mamando, ele faz a parte dele no nosso acordo (e eu faço a minha - cuidando dele) – foi o que combinamos lá na UTI...
Escrito por Má às 17h39
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