Cantinho da Má


O que temos em comum???

Existem pessoas que acordam e pensam: mais um dia! Outras, rigorosamente pensam que cada dia que passa é um dia a menos.

Sem dividir em grupos ou tentar rotular entre otimistas e pessimistas, a verdade mais simples é que todos nós pensando isso ou aquilo, vivemos os nossos dias como uma seqüência interminável de dias. Como um calendário eterno a nossa disposição. Todos. Sem exceção. Bom, pelo menos eu não conheço exceção... vc conhece alguma??

Então... Como viver?

Vivemos os dias achando que sempre seremos perdoados por todos os erros. Erros novos, velhos, pequenos ou medonhos. Acreditamos que seremos desculpados e em nossas mentes até achamos que aquilo será esquecido!

Nos damos ao luxo de ficarmos raivosos, de inventarmos desculpas pras nossas falhas (“somos humanos”), de maltratarmos quem está por perto, de não nos comunicarmos, de nos sentirmos importantes – mais importantes do que os outros – de não darmos notícias, sorrisos, ajuda ou qualquer coisa que nos faça dignos de pertencer ao menos, à mesma espécie. Não nos ajudamos! Não ajudamos uns aos outros e como se isso não bastasse ainda nos privamos de amor, de carinho e de compreensão. Pior: perdemos tempo desejando mal a outras pessoas, visualizando sua queda, sua dor ou sua perda em qualquer nível. Ainda temos a arrogância de nos consideramos no topo da evolução da vida na Terra!

Qualquer destas atitudes citadas nos faz desperdiçar nosso dia, nosso tempo, nossa vida. Não existe receita de como viver, apenas de quais erros não cometer.

Como você pode viver um dia após o outro? Não sei. Sei que se vc achar que este dia é o seu último, certamente não o desperdiçará pensando mal da sogra ou fofocando sobre a novela ou sobre o caso da vizinha.

Um dia a ser vivido, mas com responsabilidades, seguindo as regras, sabendo que todos estamos no mesmo barco (leia-se planeta) e que este não deve ser abandonado. Cordialidade, atenção, carinho devem fazer parte do presente... agindo como se este fosse seu último dia a longo prazo.

A pergunta é o que fazemos com cada segundo que nos é dado de presente. Que é presente ninguém discorda, é ou não é? E que este passa, tb não. E depois que passa é passado e pro passado não há ação. E se perder num futuro que tenta consertar o presente passado tb não é uma boa opção, é literalmente desperdiçar o passado, o futuro e claro, o presente.

Um dia a mais ou a menos não importa. O que importa é que o se faz com a vida que temos antes dela ter passado. Aqui. Agora.

Viva!



Escrito por Má às 13h50
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Chuva...

 “Quero ter você bem mais que perto...” canta a voz da Ana. E uma sensação de déjà vu” me assalta. “ (...) Com você eu sinto o céu aberto”... Um frio na barriga. De saudade de quem eu era.

Saudade de acreditar, mas...

Hoje a dor se cristalizou. Ontem, a tormenta e hoje, depois da tempestade, o sol nasce debaixo de um céu nublado. Impávido. Nem aí pros meus olhos inchados de tanto chorar minhas mazelas absolutamente humanas.

Agora a chuva vem lavar os resquícios de sujeira, deixando aquele cheiro bom de planta molhada e chão úmido. Assim como a fumaça do incenso, que limpa elevando os “maus fluidos”, a água da chuva leva tudo o que me incomoda. Sujeira me incomoda, deveras.

Ai, chuva. Me lembra que tudo se transforma, a água suja é filtrada e se, o filtro estiver limpo, ela volta limpa... Transformada, mas limpa.

É isso que eu quero ser hoje e daqui em diante. Transformada mas limpa. Cada dia mais limpa.

Não quero ser piegas, nem mandar recados, muito menos dar lição de moral. Não quero tripudiar, até porque eu sei realmente que quando a gente é injusto, a consciência fica martelando incessantemente. Tenho minhas próprias marcas por ter sido injusta. E este tipo de cicatriz não é orgulho. Eu bem sei disso e só por ISSO eu posso me solidarizar...

A chuva tá mais forte agora e como tudo o mais, uma hora também vai parar. E assim segue o ciclo interminável...

Bom, vou deixar o teclado e seus olhos em paz. Vou devanear mais um pouco a sós, enquanto sinto o céu fechado mas sabendo que certamente, ele abrirá.



Escrito por Má às 11h59
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Pensamentos da madruga...

Então eu tenho 36. Humpf... Grande coisa, eu pensaria ambiguamente. Aos 18, essa idade p mim era sinônimo de maturidade extrema beirando a decrepitude. Agora, me parece mais um vai ou racha, de um jogo onde se aprende a olhar por vários ângulos, ter jogo de cintura ou simplesmente aprende-se a chorar e lamentar a derrota.

Vivi num mundo de sonhos durante boa parte destes anos, deveria dizer décadas?? E pelo o que eu saiba posso ainda estar vivendo, pois todos esse anos não tive consciência disso...

Profissionalmente não estou onde gostaria... mas onde eu gostaria de estar??? Em algo que me desafiasse sem dúvida mas que me proporcionasse uma gastrite maxi-mega-plus?? Sem dúvidas, em algum lugar onde pudesse me sentir útil e bem remunerada – adequadamente – e não os salários vergonhosos que aceitei receber até hoje.

Financeiramente, sem comentários. Mesmo. Prá mim e pras pessoas que pacientemente – as vezes nem tanto, dependem de mim, deixo a desejar. Preciso de mais planejamento, estabilidade e investimento.

Fisicamente, afe. Claro que meu peso aos 17 era uma dádiva da natureza, alvo de toneladas de inveja, e o motivo disso era algo que eu não fazia a mais remota idéia. Aliás a própria idéia da inveja já me era estranha. Ah, sim, falo sério. Bem como, só fui perceber na era pós-filho a tristeza avassaladora de ter seus hormônios voltados contra você... Isso, só no item balança. Tem o item cabelos, pele, unhas, TPM, dor e inchaço nas pernas, a famosa fase do problema de junta...

Amorosamente?? Ai, só de escrever isso já me dá um frio na barriga. Afinal, chegar até aqui p descobrir que meu homem perfeito não é nenhum hollywwodiano mas um Frankenstein, é demais p mim... Afinal, se eu juntar as partes dos ex(s) que se encaixavam em mim e descartasse a grande parte do que não servia ou que desagradava, o resultado seria um picotado de personalidade e de manias adaptadas a mim. Claro que estou sendo perfeitamente umbiguista, mas a idéia de príncipe encantado ainda me persegue arraigadamente.

Então, após todos esse anos de jogo, apesar dos vários ângulos, de sempre ter uma atitude positiva, de estender a mão ao outro aprendi que sei... aprendi que não... hummm... aprendi que choro bem prá caramba... J

E tenho dito*!!

* Expressão que já era antiga na época da minha adolescência, usada principalmente no fechamento de textos em que se desejava usar a ênfase de afirmação...



Escrito por Má às 23h21
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Mais um ciclo em torno do Sol...

Sim... lá se vai mais um ano. E somando ao primeiro, são dois anos que se passaram desde a madrugada em que a bolsa rompeu mudando definitivamente a minha vida. Ele não sabe - embora as vezes eu acho que saiba - o quanto é importante prá mim. É um pedaço de mim com vontade própria. Que brinca, ri, sonha, se diverte, faz manha e aprende o que pode com uma velocidade inacreditável. O que ele será não depende da gente, mas certamente estamos aqui para ajudá-lo a enxergar o caminho certo, e a usar as ferramentas certas nesta caminhada.

Eu tenho tanto a agradecer a este menino... Ele me dá vontade de me superar, de ser um bom exemplo, de lutar pelos meus sonhos. Isso só por existir... Qdo ele é ele mesmo - e isso ele ainda é sempre - algo em mim derrete e eu fico mais alerta... Qdo ele me abraça ou faz carinho em mim, eu me sinto forte, uma muralha e sei naquele momento que posso derrubar o mundo protegê-lo... ao mesmo tempo que sei o que tudo o que existe está interligado e é frágil e precisa de cuidado e carinho...

Bom, ser mãe deve ser isso então. Ter vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo e o tempo todo... rs rs. Não sei como definir, não sei como explicar, apenas sinto a grandeza desta tarefa como o peso mais leve que já carreguei. Acho que ser mãe é isso.

E ser mãe do Pedro Henrique hoje é minha nova identidade.

Na verdade estou escrevendo pq estou longe dele e com uma saudade que deixou meu coração do tamanho de uma azeitona. Tá tudo apertando aqui, sei q ele tá bem, mas como não estou no quarto ao lado não aquieto... não desacelero...

Eu preciso agradecer sabe? Ele tem saúde, inteligência, bondade... e mais um monte de coisinhas... encomendas que eu fiz e outras que vieram de brinde - kit luxo... mas queria agradecer mesmo é pq desde que ele era uma semente guardada em mim, eu me transformei e agora sei um pouco mais de mim do que sabia antes.

Feliz aniversário, filho e agradeço por me ensinar tanto sobre tanta coisa, mas principalmente por vc me ajudar a me enxergar...

Te amo,

Mãe.

 



Escrito por Má às 00h22
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Trilha Sonora

Minha vida/filme tem sempre um roteiro escrito por mim, as vezes deixo para um ghostwriter, mas gosto de escrevê-lo... Porém a trilha sonora é totalmente “ao acaso”. Essa é A música destes dias:

 

“Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo até o dia em que eu mudar de opinião, a minha experiência, meu pacto com a ciência, meu conhecimento é minha distração...

“Coisas que eu sei, eu adivinho sem ninguém ter me contado

“Coisas que eu sei, o meu rádio relógio mostra o tempo errado

“Aperte o play...

“Eu gosto do meu quarto do meu desarrumado, ninguém sabe mexer na minha confusão. É o meu ponto de vista, não aceito turistas, meu mundo ta fechado pra visitação...

“Coisas que eu sei: o medo mora perto das idéias loucas

“Coisas que eu sei: se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa

“É minha Lei...

“Eu corto os meus dobrados, acerto os meus pecados

“Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei

“Eu vejo o filme em pausas, eu imagino casas

“Depois eu já nem lembro do que eu desenhei

“Coisas que eu sei: não guardo mais agendas no meu celular

“Coisas que eu sei: Eu compro aparelhos que eu não sei usar... Eu já comprei

“Ás vezes dá preguiça na areia movediça, quanto mais eu mexo mais afundo em mim. Eu moro num cenário... do lado imaginário, eu entro e saio sempre quando eu tô afim...

“Coisas que eu sei: as noites ficam claras no raiar do dia

“Coisas que eu sei: são coisas que antes eu somente não sabia...

“Agora eu sei... “

 

A letra, melodia e a voz da Danni Carlos me fazem pensar nas inúmeras coisas que eu não sei e nas Coisas que Eu Sei também... Obrigada pela música emprestada... Daqui a pouco, entra uma nova, mas por enquanto vou cantarolando essa...



Escrito por Má às 10h24
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Refletindo numa pausa do caminho...

Nesse caminhar incessante não existe trégua. Quando queremos caminhar, temos que parar. Quando estamos exaustos, temos que continuar... Enquanto estou nessa pausa, penso... Depressão é doença de quem vai depressa demais. E de quem vai demais. De quem de tanto se entregar cansou. E cansou demais. Pedras, calor, topadas, ahhh, vc diz, mas temos flores, mar, árvores. Tem poesia, música, pele queimando, acalanto e olhares, tem união... Mas tem dor, agonia, arrependimento. Tem maldade e mentira demais. Tem falsidade, violência e corrupção. Tem dúvida, quer coisa pior???...

E na depressão, não vá depressa, senão o tombo é qs certo... Vontade de gritar, sabe? Enquanto se escreve, se cala. Vontade de chorar um mar. De colocar o gosto amargo de toda essa dor prá fora mas isso não vai aliviar. O gosto amargo tem que ser degustado, sei disso. As olheiras sabem disso e tomam o rosto todo...

Intensa, apaixonada pela vida e verdadeira. Alma sem barreiras a fim de me unir com almas que queiram voar. Quanto tempo não levanta-se vôo?? Triste isso, um pássaro que não voa mais por livre e espontânea escolha. As asas estão inteiras, mas a mente está embotada... Depressão... Descaracterização de personalidade. Solução??? Ir mais devagar...

Que alguém ajude quem caminha... e quem pára...



Escrito por Má às 13h45
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saudade...

Parece que vivo num mundo de saudade.

E esse mundo não mais me basta. Quero mais. Numa época em que tudo é feito cada vez mais rápido eu curto caminhar devagar apreciando ipês amarelos floridos. Em que todos se relacionam superficialmente eu acredito em "prá sempre" nas amizades e no amor. Sou mais sensível do que o "normal"?!? E, qual o problema? Se eu não consigo te alcançar bjtchau prá mim, mas não tente me moldar. Isso já foi feito antes de eu nascer e a forma, jogada fora (modéstia pouca, mas uma dose dupla sem gelo de amor próprio pq eu estou precisando obrigada).

Quero mais, de mim, dos outros e do mundo. Quero o prá sempre. Quero sentir calor, frio, solidão, amor, quero me sentir viva, sendo quem sou e caminhando meu próprio caminho.

Chega de zero à esquerda. Agora, só de mil prá cima. Sou mais eu e só comigo mesma vou conseguir ser plenamente feliz. Quem estiver a fim, me acompanhe - mas só boas companhias tá? Afinal, o dito popular "antes só..." tá aí mais forte do que nunca.

Boa sorte prá todos que se redescobrem todos os dias. Que têm coragem prá amar acima de todas as coisas. A todos os outros, "vamos pedir piedade" como canta Cazuza.

Sou de verdade. E isso é a única coisa da qual tenho certeza.

Beijo...

 



Escrito por Má às 12h48
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sobre homens e mulheres

Sei que é discutir o sexo dos anjos. Sei que é tema batido. Super.

Mas não consigo parar de pensar nisso.

As diferenças... eternas... eternamente discutidas (em vão). Várias teorias e hipóteses.

 

Li a algum tempo que os cérebros de homens e mulheres desenvolvem-se de maneira diferente, adaptando-se a situações específicas, de acordo com funções ativadas que vem de uma memória ancestral. Traduzindo? Homens têm uma visão mais acurada e enxergam longe, o que nos remonta a um tempo em que a caça era necessária e primordial para a sobrevivência da espécie. O papel do homem era caçar, portanto, ele desenvolveu a região do cérebro específica para ter uma boa localização espacial e uma ótima visão à distância. Mulheres têm maior sensibilidade para detectar sinais nas pessoas. Isso advém de uma época em que a sobrevivência da família dependia do percepção da mulher e das providências que ela tomaria a respeito das pessoas que ali viviam, detalhes como coloração da pele e linguagem corporal não passam despercebidas às mulheres...

 

Essa é uma das teorias.

 

Penso em como podemos nos ajudar, nos completar. Em inúmeros aspectos, desde a vida em família, passando pelas várias tarefas profissionais que podem ser divididas.

Otimização. Planejamento. Na verdade, acredito que esta complementação nos mostra que precisamos uns dos outros. Que somos ímpares sim, mas estamos todos dividindo o mesmo espaço. O mesmo ar, a mesma casa, o mesmo ambiente de trabalho, a mesma academia, o mesmo hospital, a mesma praça, a mesma “nave interestelar”. E que nossas diferenças independem de sexo, de origem, de classe social, de crenças...

 

Complementação. Fico impressionada com a resistência de reconhecimento do que o outro tem de bom. Preferimos julgar a estender a mão. Porque?

 

Independente de todas as hipóteses existentes, desde a linda história mitológica de que os seres humanos eram hermafroditas e foram separados por um raio, e hoje vagam procurando pela sua outra “metade”, passando pela Criação Divina, vulgo Adão e Eva até a evolução de Darwin e as teorias pós modernas sobre evolução fisiológica do cérebro... Independente do porquê, penso que homens e mulheres, podem e devem se completar.

Afinal é só quando a essência feminina junta-se à masculina é que uma outra vida se origina e só isso já deveria fazer com que refletíssemos mais, afinal isso sem dúvida, é divino!

Vive la differènce!



Escrito por Má às 09h17
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...

Escrito por Má às 08h48
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sobre mim II - a short one

 

Preciso elevar o pensamento, mas com pernilongos me rondando e os peitos latejando fica tudo muito mais difícil. Agruras. Físicas e na alma. Fictícias e reais, algumas bem mais reais do que eu gostaria.

Tá tudo sob controle e de uma hora prá outra, muda. A ordem no caos, o universo em expansão, com seus incomensuráveis elementos, matéria e energia, c’est tout la mème chose ou não...

“Eu perco a chave de casa, eu perco o freio, estou em milhares de cacos...” canta Miss Calcanhoto e eu sempre achei graça em mim. Graça nas minhas mazelas, no meu lado dramático, ou intenso e apaixonado como eu costumava enxergar. Mas agora, tenho alguém que acha que meus defeitos são horrorosos demais prá serem suportados. Unbearable. Todos eles, inclusive os que eu nunca imaginei que seriam “defeitos” pra alguém.

Mais um texto sem final? Dos inúmeros que comecei desde que essa história começou e eu deixei de ser eu mesma prá tentar ser eu-casal-ele. Os tracinhos aí eram prá ser sinais de somatória mas pelo visto são de separação mesmo. Conjuntos que não estão contidos uns nos outros, lembrando a velha e querida matemática da infância (que é a base para muitas pessoas traumatizadas e alguns gênios também).

Gosto de ser eu. Gosto muito. Às vezes, como num casamento, encho um pouco de mim, me acho ridícula, mas me respeito e toco prá frente, relevando as faltas e tentando aprimorar o que há de bom. O que eu faço comigo, acabo fazendo com os outros. Por isso, muitas vezes sou dura e exigente com as outras pessoas. Por isso, às vezes eu me desaponto com a falta de interesse em tentar compreender. Esqueço... esqueço que os outros não têm esse sentimento avassalador que me invade de tentar achar a conexão, o ponto comum. Esqueço que as outras pessoas têm outras prioridades: dinheiro, sucesso profissional, fama, ah, sei lá, coisas que nem consigo imaginar porquê deveriam ser a razão ou a essência da vida de alguém. Mas tento. Tento compreender o motivo que leva um ser a puxar o tapete do outro prá “vencer”.  Que faz a pessoa amada chorar até perder as forças e não se mexe... reticências no tempo...

Eu que paro de sofrer prá cuidar de quem amo. Eu que vago no espaço em busca de solução para os problemas (próprios e alheios). Eu que luto como uma leoa prá proteger quem amo. Eu que tenho um coração que guarda pessoas queridas independente do laço que nos une. Eu que enfrento o mundo prá lutar pelo o que acredito. Eu que tenho a alma armada e desprotegida ao mesmo tempo... Eu estou aqui, escrevendo sem saber o final dessa história, tentando segurar a Pollyanna que habita meu ser desde os 14 anos de idade e dessa vez, não ser toda esperança. Sem saber se o final será feliz, sem tentar pensar em probabilidades, porque hoje em dia, está cada vez mais difícil acreditar num final feliz, já que a história toda se mostrou uma grande comédia de erros (ah, se eu fosse o William... Shakespeare, é claro...).

Citando o mestre Vinícius: “a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida”... Prá que sofrer com as agruras??? Fechando, a Rita Lee canta: “prá quê sofrer com despedida?” That’s it.

Acho que consegui terminar o texto, elevei a dor (Ana Carolina) e o pensamento. Ao final acabo soltando um pouco a Pollyanna (coitada, acorrentada na masmorra há tanto tempo...) ao acreditar que sairei na boa – “com mais experiência”, ela sussurra tirando a mordaça e as algemas. Imediatamente, me arrependo de te-la soltado. Lanço-lhe um olhar enregelante e grito: CHEGA!!!  E saio correndo atrás daquela que personifica toda a minha inocência e meu otimismo pueril (com as correntes na mão, claro...).

 

Muito boa noite prá quem vai dormir...

Escrito por Má às 23h18
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Birth...

Observo a claridade em seu rosto. Decoro suas formas, presto atenção nos seus gemidos, na respiração, no tom da pele, nos movimentos e tento adivinhar suas vontades.

Um nascimento sempre modifica a vida da gente. Como explicou um amigo “é como se tirássemos nova identidade”.

Tudo nele e o que diz respeito a ele, é prá mim, inesquecível e marcante.

A barriga que, de pequena ficou gigante. Chutes e enjôos. A bolsa que se rompeu as 2h da madrugada. As contrações intensas e intermináveis (10 horas vivendo a vida de 5 em 5 minutos). O seu nascimento – só nós dois e a primeira vez em que pus os olhos nele. Tão pequeno e tão frágil – tentando respirar – estava nervoso e assim que falei com ele, ele parou de chorar! Quarenta dias longos que se arrastaram dentro de um hospital com inúmeros cansaços (físico, emocional) e aborrecimentos. A vinda prá casa, período de adaptação e conhecimento para todos...

Sem dormir a noite, dores nas costas, leite que empedra, peito inchado, dor nas pernas, sem tempo para retornar ligações ou  mesmo prá fazer nada, banhos rápidos, olhando a respiração, a temperatura, trocas de fralda, banhos, cuidando, roupinhas, massagens, remédios, cuidando e cuidando mas...

Um suspiro, um sorriso, suas mãozinhas, suas manhas e seu cheirinho. Tudo o que é dele ou vem dele, me apaixona.

Canto prá ele enquanto o embalo. Ele me olha, pisca, boceja e se ajeita no meu colo. Quando ele chora, parte de mim se quebra.

Eu respiro com a respiração dele... e essa, agora, é minha nova identidade.

Muito prazer.

Sou a mãe do Pedro Henrique *...

 

* Um menino muito corajoso, que nasceu prematuro de 29 semanas, Pesou 1,885kg ao nascer e passou 40 dias no hospital – destes, 38 em UTI neonatal.

Ele venceu uma gravidez nervosa e com uma mãe triste e exausta, um trabalho de parto de 10 horas que terminou em cesárea, venceu o desconforto respiratório, o incomodo de agulhas e cateteres e a raspagem de seu cabelo prá pegar uma veia da cabecinha. Venceu uma transferência cretina aos 4 dias de vida com 1,6kg e duas semanas tomando antibióticos; cuidados de enfermeiras e médicos, aquele barulhinho desgraçado do oxímetro, sondas, leite de latinha, uma anemia e uma transfusão de sangue e sobreviveu a médicos que queriam remove-lo da UTI (mais uma vez) a qq preço. Venceu o cansaço de ser prematuro e aprendeu a mamar e faz isso hoje com toda a força que possui. Venceu a precocidade e aprendeu a respirar sozinho. Venceu o refluxo e conseguiu ganhar peso. É por tudo isso e um pouquinho mais que eu digo que esse menino já é um vencedor por ter nascido e sobrevivido... Mas o que mais me orgulha é ver sua força no meio de tanta adversidade. Isso me dá forças prá enfrentar qq coisa... Hoje, ele sorri quando dorme, chora quando tem fome ou coliquinha e olha o mundo com olhos brilhantes. Ele tem 2 meses e 8 dias, 50 cm e mais de 3,275kg! Respirando e mamando, ele faz a parte dele no nosso acordo (e eu faço a minha - cuidando dele) – foi o que combinamos lá na UTI...

Escrito por Má às 17h39
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Sobre mim...

Oi.

Sou assim ó: uma figura calada e tagarela ao mesmo tempo (!). Observo o mundo com olhos de quem acredita (ainda) em um mundo unido. Fico feliz, ou melhor, fico enternecida quando chega essa época do ano e as flores amarelas do ipê começam a florescer e a inundar o mundo com sua beleza. Sou louca, absolutamente maluca por fotos (quem me conhece, sabe), tenho fotos de tudo e de todos espalhados pelos quatro cantos da minha casa e por onde eu passo. Adoro quadrinhos, me divirto mesmo. Gosto de música boa, algo que me toca pela leveza ou pela vontade de dançar (ou de soltar a mente). Dança... putz, que maravilha. Como o ser humano é capaz de fazer algo tão belo como dançar, cantar, escrever, pintar? Adoro tudo isso.

Amo ler. Sou apaixonada por pensamentos coerentes e bons. Gosto muito da transformação que a leitura pode provocar na gente.

Contato com toda e qualquer espécie, acho  fundamental. Adoro estar conectada com as pessoas,  com o mundo, com a energia que nos mantém, mas ao mesmo tempo, preciso ficar sozinha, dar um tempo prá digerir todos os meus pensamentos e sentimentos.

Gosto de planejar e executar. Finalizar projetos. Amo ver a evolução, a superação de qualquer um.

Adoro filhotes. Adoro seu olhar determinado e inocente. Criaturas que estão vendo e experimentando tudo pela primeira vez.  O brilho nos olhos dos recém-nascidos, dos bebês e das crianças. As frases espontâneas e o raciocínio limpo, sem meandros.

Gosto de ser literal. Digo o que quero dizer e aciono o foda-se quando é preciso. Quer gostar de mim? Não te agrado? Foda-se.  Ou seja, literalmente: “Não estou nem aí”. Geralmente, gosto ou desgosto à primeira vista, mas demoro prá me soltar, assim, prá me aproximar. Se eu sinto afinidade, nossa, ofereço o que posso. Se uma pessoa amiga me magoa, eu me retraio e aí, esquece. “Bjtchau, como diz minha prima, fico fria como uma pedra.

Preciso me sentir em paz, para recarregar as baterias. Consigo isso quando respiro bem, quando estou em sintonia com energias boas, quando tenho consciência do meu corpo. Por isso, o amor à yoga, à dança, ao caminhar na praia e à música.

Questiono. Sempre, o tempo todo, todas as coisas do mundo. Desde pequena quero descobrir mistérios, responder perguntas; formulo hipóteses e observo probabilidade das coisas.

Amo a verdade. As vezes, dói. Mas eu prefiro assim. Minha alma é antiga e só se contenta com a verdade nua e crua. Pungente. Acima de  todas as coisas, até da paixão.

Amo estar apaixonada. Por idéias, pessoas, lugares, sensações. A paixão é meu grande vício, o que me faz delirar. “Desejo: necessidade e vontade” – sim!

Adoro inteligência, associada a bondade então... derreto! Amo felinos, de todos os tipos e graus.

Gosto de me sentir útil, de fazer parte de algo. Gosto de poder ajudar, de conhecer (pessoas, lugares e situações novas).

Mas, como num texto que escrevi há dez anos atrás (postado aqui): Acima de tudo, gosto de amar. Muito. Acho que sem amor a vida fica assim: descaracterizada”.

 

Então, prá quem me conhece, é um mero revival. Prá quem não conhece: muito prazer, seja bem vindo - estamos aí.

Escrito por Má às 14h09
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About mistakes...

Sem sombra de dúvida, repetimos os mesmos erros. Vc pode dizer, eu não faço isso. Mas cá entre nós, sendo quem vc é (e sendo quem eu sou) sabemos muito bem, que alguns padrões se repetem, certo? E que mesmo mudando aos poucos (quase imperceptivelmente), aquelas falhinhas que incomodam como farpas na palma da mão, estão presentes. E consequentemente, nos levam a caminhos/atos/pessoas e/ou encontros muito parecidos aos que já aconteceram. E que se, não abrirmos os olhos a tempo, nos levarão a erros e/ou sofrimentos semelhantes aos que já passamos.

            Eu por exemplo, consigo pensar rapidinho em algumas coisas que detesto em mim. Tenho mania de botar o dedo na boca (e roer cantinhos, cutucar a unha e puxar cutículas... as vezes até sair sangue...) basta eu me sentir insegura e/ou ansiosa. Tenho mania de querer ser perfeita e por isso mesma, nunca estou satisfeita nem comigo muito menos com os outros. Tenho mania de achar que os outros fariam o mesmo que eu. Mania de querer ter tudo limpo e organizado em volta de mim, de não parar de discutir, de achar que posso ajudar ou consertar o mundo, de sonhar, de tentar ficar feliz com pequenas coisas, de amar acima de qq coisa, de achar que o dinheiro só serve a gente e não o contrário... Mania de não enxergar as situações e as pessoas pelo que se apresentam mas sim, pela intenção inicial... :( Mania de falar demais, de confiar nas pessoas, de fazer metáforas e analogias com tudo. Mania de ser honesta, correta e digna. Mania de chorar quando estou explodindo de tristeza. Mania de ficar triste quando vejo que não agüento ou não dou conta e mania de esquecer isso no minuto seguinte e chorar tudo de novo, de uma forma mais dolorida uma outra vez (pelo mesmo motivo again and again). Mania de cantar quando estou feliz. Mania de lembrar das pessoas e ligar ou escrever pra elas. Mania de querer preservar as amizades. Mania de tentar desfazer todo o erro com um abraço. Mania de achar que o amor fala mais alto e que essa é a grande lição que temos que aprender nessa vida. Mania de achar que o exemplo vale mais que mil palavras. Mania de falar a verdade, acima de todas as coisas. Mania de apostar em gente que já desistiu de si mesma. Mania de tentar ser responsável por tudo e ver que não dá e daí, ter mania de se sentir frustada...

Mania de querer e querer. Nunca parar de querer coisas novas, coisas velhas e de acreditar que querer é poder.

Mania de viver nas nuvens e de ter medo de descer à Terra. Mania de escrever quando estou explodindo e de achar que isso é bom. Mania de viver em crise e nunca crescer. Mania de se decepcionar com as pessoas. Mania de gostar de gatos e de querer proteger tudo que é inocente. Mania de tentar compreender. Mania de me sentir mal quando vejo que acabou a grana, que o meu planejamento falhou no dia-a-dia. Mania de priorizar a vontade do outro. Mania de me negar ser feliz. Mania de gostar de vento, de mar com água quentinha e de céu azul. Mania de admirar o sorriso do outro. Mania de tentar ser adequada à situação. Mania de analisar, organizar, tentar ordem e lógica pra tudo e pra todos (!). Mania de tentar ser coerente. Mania de dormir (precisar de muitas horas de sono). Mania de dançar quando estou contentíssima, mania de pensar e pensar até o cérebro parecer que vai explodir. Mania de tomar remédio pra dor de cabeça. Mania de detestar tomar qualquer remédio. Mania de dar bronca quando estou muito brava ou nervosa. Mania de querer botar moral, mania de me arrepender, mania de pedir desculpas e de ficar mal quando vejo que não adiantou porra nenhuma, mania de falar palavrão, palavrões cabeludos em quantidade e em qualidade. Mania de tentar ajudar. Mania de usar salto. Mania de gostar de mato e ser alérgica a insetos. Mania de ter repulsa a sapos, mesmo sabendo que ele não fazem nada. Mania de ficar chocada com a violência e o desrespeito. Mania de acreditar. Meu deus, acho que tenho mania de ter manias!!! E o pior é que por mais que eu “pense que eu sinta que eu fale”, sempre me surpreendo comigo mesma...

            Escrevi uma vez que quero errar erros novos. Mas como vou fazer isso se continuo sendo a mesma pessoa, com as mesmas manias? SEMPRE vou enxergar o mundo com os mesmos olhos e trilhar meu caminho com os mesmos passos... Mudar é a chave. A mudança nos fará melhores? Certamente, nos fará diferentes e aí sim, teremos a chance de errar novos erros ou… quem sabe… acertar de vez… J



Escrito por Má às 09h55
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Dois lados (ou mais...)

Todas as coisas têm dois lados. O lado ruim tá acabando comigo hoje. Faz algum tempo que o lado negro da força vem corroendo aos poucos. E essa tática de "água mole em pedra dura" é a mais eficiente. Ééé... essa, eu não consigo vencer. Ainda não. Eu entrego prá algo superior, mas no meio do caminho sou derrotada. Cara, como as pessoas que usam essa tática são espertas. E o que eu tenho? Sorte de principiante? Amor? Bondade? Tem hora que essas "armas" ou escudos não dão mais conta.

Hoje ta mais difícil que nos outros dias. Sabe, aqueles dias em que vc está cansado mas não se sente completamente derrotado? Tem dias em que se pensa: que bosta, mas foda-se! Então, hoje o mecanismo de acionar o foda-se não está funcionando. As teclas emperraram assim como a cabeça de certas pessoas. Penso em tentar escrever algo inteligente, positivo ou no mínimo criativo. Putz... Estou como o Garfield quando acorda.

Em outro post aí, eu escrevi sobre me livrar da culpa. Me divorciei da culpa. Naquela época foi difícil, ainda tenho seqüelas mas aqui estou: livre! Agora, preciso me livrar desse peso que carrego. Dessa tristeza abominável que me faz chorar full time, que me faz derrear os ombros e nem prestar atenção em coisas e em pessoas que eu deveria cuidar.

Tem aquela música que diz “eu fico disfarçando e finjo que nem sei que em pouco tempo rola tudo outra vez”, martelando incessantemente na minha cabeça. As pessoas podem até mudar mas os seus princípios não mudam. O seu modo de construir os pensamentos, palavras e os atos também não.

Já tentou conviver com alguém que se sente acuado o tempo tempo? Sabe um animal que viveu tanto tempo recluso que hoje em dia, qualquer aproximação significa perigo, invasão? Já viu o olhar de alguém assim? Já sentiu como é desesperado? Parece que tem algo dentro do ser que pede ajuda mas o animal nem se liga e só rosna. Só faz do jeito que sempre fez.

Ou isso, ou mentiras integrais e pouco sinceras. Mentiras esfarrapadas, sem nexo, nem respeito. Omissão que usa as desculpas mais senis. Provoca aflição, indignação. O respeito não passa nem perto. Respeito ao outro e a si próprio.

O animal acuado cada vez se isola mais. Ele tem tanto medo de se magoar de novo que agora, só faz magoar quem tenta se aproximar. E cada vez mais só, perde a referência de contato com o outro.  E cada vez mais sem referência comete atos hediondos contra si mesmo. Se machucando, transforma a mágoa alheia em banalidade. Afinal, ele sofre tanto...

Só agüentei até agora pq achei que as coisas mudariam. Como no filme do Shrek. No final todo mundo se ama. Independente de qual espécie seja.  Acredito que o amor vence tudo mas só quando dois querem e nesse caso, além de querer sozinha, o kit luxo está muito pesado. Ou sou muito pequena. Questão de referencial.

Ação e reação: as coisas têm dois lados (ou mais). A onça e a vara que a cutuca. Quem começou a provocar quem? Quem vai parar? Parar de sofrer agora? Acreditar que o sofrimento vai trazer alguma redenção? Afe, nem sou do Opus Dei, nem nada.  E ter que conviver de perto com pessoas que manipulam os outros é algo que ESTOU FORA. Nem vem, varejeira...



Escrito por Má às 17h25
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O retorno...

Saudade do meu cantinho... saudade de ser eu mesma dentro de um espaço que criei. Quando a "coisa" aperta, sempre corremos prá esse espaço. Espaço esse que varia de acordo com o seu criador. Exemplos? O meu é escrever. O daquela mina do filme Instinto Selvagem 2 (Catherine Tramel) é se arriscar. Tem gente que limpa a casa, como a Mônica de Friends. Tem gente que se tranca em casa, tomando coca e vendo jogo. Tem gente que vai ao cemitério (brrr). Sei lá, cada um é um universo.

Então é isso. Estou de volta com restrição à internet no trampo, sem poder acessar blogs alheios, mas feliz por ter voltado pro meu lar doce lar. Cara, nestes últimos dias vc nem imagina o que essa felicidade pequena representa prá mim (eu conto: é o meu bote salva-vidas). Bjtchau!!!!

...



Escrito por Má às 09h42
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